Janela

Daqui do alto de minha janela vejo a cidade, as pessoas indo e vindo como em um formigueiro. Posso ver os prédios, os carros, sentir as gotas de orvalho da manhã depois da noite insone. O dia nasce, o sol se abre em cores e a vida renasce, só no meu peito esse aperto, essa pontada. Onde estará você, parte de mim que está tão longe? E eu aqui toda lábio para beijos, toda pele para carícias, toda braços para seus abraços, toda fome para seu amor. Eu te espero, me entrego à espera como o réu entrega-se ao carrasco, como a flor se entrega ao beijo do pássaro. Me deixo ficar aqui nessa janela vendo a vida passar, os dias se escoarem, lânguidos, pelo fundo de minha retina como se nada mais tivesse importância, só mesmo minha espera, sua chegada. Os raios de sol nascente invadem a cidade, penetram minhas cortinas afugentando as sombras da noite, mas dentro de mim a neblina pálida da saudade é fria e é espessa. Meu peito se expande num suspiro, meus lábios se entreabrem num gemido surdo de saudade.
Escrito por Zailda às 22h40
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